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Sonetinho

19 de julho de 2009

Eu quero tanto segurar a tua mão
Que chego a tropeçar na ansiedade
E derramo, espalhando pelo chão,
A minha, já escassa, sanidade.

E, louco, em delírios, eu te vejo
Em jardins em que, outrora, nós andamos.
Te encontro e, de súbito, te beijo...
Na loucura, novamente, nos amamos.

Quero criar com toda essa loucura
Um novo e certo ponto de partida...
Fazer desses delírios nossa cura

Pra essa, então, desesperada vida
E deixar a paz que tanto se procura
Vir com a paixão, agora, renascida.

Linda!

19 de julho de 2009

Lindo é o poema de amor
Se lindo é o amor do poeta
Que não cria, Interpreta
Palavras que se ocultam
Nos doces modos da musa.
O poeta não faz nada
Além de garimpar
A sua doce amada.
Cada olhar, sorriso.
Cada gesto
Num instante, torna-se
O mais puro manifesto
De amor.
Linda é a poesia
Se linda é a musa, que cria
A cada instante,
Dia-a-dia...
As palavras
Que o poeta escreve,
Mas não se atreve
A inventar...
Os versos, o poeta respira,
E vêm da musa, que transpira,
Sedução,
Ternura,
Paixão.
Linda é a tua poesia,
Porque linda tu és...
Porque louco por ti é o poeta,
Que tu tens aos teus pés!

Perdida mente

19 de julho de 2009

Estou perdido
E, olhando nos seus olhos,
Busco sentido
Pra tudo aquilo que até agora julguei
Ter aprendido
Mas nada sei.
Nem mesmo posso explicar o que se passa
No meu peito
Cada vez que você passa
Como um furacão
Que não derruba casas
Mas enche de asas
A imaginação
Deste poeta
De coração Incerto,
Inseguro,
Rodeado, escondido
Por um muro
De pedras.
Com medo de amar.
Não sei dizer o que eu sinto...
Mas se disser que é nada,
Minto.
É muito mais que nada,
É quase tudo...
Tão forte, tão bonito,
Que nem acredito
E fico mudo...
Temendo te assustar,
Te afastar,
Te perder.
Estou perdido...
E sem coragem para achar o caminho
Até você.
Até sua boca.
O que que eu faço?
Se já não escondo mais minhas vontades?
Se já não controlo mais os meus desejos?
Se já não deixo de pensar nos teus carinhos?
Nem nos teus beijos...
Estou perdido.
E a única mensagem de socorro
Que me vem em mente
É gritar que eu te quero
Perdidamente!

Meio sem Jeito

19 de julho de 2009

Fecho meus olhos
E enxergo os teus:
É sonho.
Penso em teus lábios
Encontrando os meus:
Desejo.

Se amo-te
Não sei dizer-te.
É desigual
O que sinto agora,
De tudo aquilo
Que senti outrora.
O teu toque
Me devolve a paz.
Teu sorriso
Traz minha alegria,
Tua voz
É a melodia
Que enche meu peito
De um bem-querer
Tão incomum.
Cada abraço teu
Traz-me certeza,
Necessidade
De mais um.

O teu sorriso
Faz o meu sorriso,
É perfeito,
É do jeito
Que eu preciso
Pra viver.

Se amo-te?
Penso que sim.
Mas tenho medo.
E, para ser sincero,
Não encontro a forma
De dizer-te
Que te quero…

Sente. E mente.

19 de julho de 2009

Não sei se tudo o que sinto
Em teu íntimo tu sentes
Mas, por defesa, tu mentes
Pensando que, antes, eu minto.

Ou talvez tu nada sintas
E só quem sente sou eu...
E se o sentimento é só meu
Não há razão pra que mintas.

E se nem mentes nem sentes
Lá se vai a minha crença
Que não via diferença
Em expressões diferentes.

Quero crer, então, que sentes
Exatamente o que eu sinto.
Melhor seguir meu instinto
Do que ter atos prudentes.

Condenado

19 de julho de 2009

Morro por ti, acredita!
De tanto que te desejo,
Minha alma põe-se aflita
E morro pelo teu beijo!

Morro também de saudade!
Quando tu vais e demoras,
Para mim a eternidade
Cabe em um par de horas...

Maior ainda é a desgraça
Se sentem o teu perfume,
Se alguém te beija ou te abraça,
Morro (e como!) de ciúme!

Ou quando percebo-te triste
Para mim, tenhas certeza,
É a pior dor que existe
E morro, também, de tristeza!

Mas se tu beijas meu rosto
Ou seguras minha mão
Eu morro com todo gosto
Porque morro de paixão!

Minha Paz

19 de julho de 2009

Numa tarde,
Em Ipanema,
Triste,
Andei.

No peito, um coração
Carregado de saudade e tristezas
Ritmava meus passos
Preguiçosos.
A cabeça atormentada, perdida,
Estranha a mim mesmo,
Era habitada por tribos de pensamentos
Que lutavam
Incessantemente
Entre si.

E eu andava.
Sem saber exatamente o que procurava...
Me percebi diante
Da N. Sra. da Paz
Sem ser capaz
De entrar.

Acelerei o passo, era preciso.
Paz, Paz, Paz... - pensei -
Senhor, me mostra onde encontro a minha...
Não foram necessários mais que dois minutos
Ou alguns passos.
Para aparecer diante de mim,
Ainda incrédulo,
Depois de tanto tempo,
Em lugar tão improvável,
Em uma hora verdadeiramente incomum,
Você.

Despenteada, linda.
A minha paz.

Coisinhas

14 de abril de 2009

Sabe aqueles dias
Em que a saudade aperta
E que a iminência da lágrima
É quase certa?
Nesses dias eu largo a dor
Em um qualquer banco de praça
Torno-me cúmplice do tempo
Que não passa
E acho engraçado
Como mesmo longe
Você continua
Do meu lado
Como são as coisas
(bonitas e tantas)
Que te trazem aqui
Um simples quindim,
Um teste de Q.I.
Ou Beatles
Na voz da Rita Lee.
Loucuras de Gaudí,
Couvert com Biskuí
Ou o miolo doce
Do abacaxi.
Filmes de Woody Allen,
Filmes com Al Pacino,
Água com gás,
Cappuccino,
Bolhas de Pro Secco,
Rolhas de vinho tinto.
Espreguiçadeira pra dormir,
Restaurante indiano
Pra fugir.
Avenida Niemeyer
Pra gritar.
Tangerina,
Neosaldina,
Sorrisos de neném,
Fricotes de menina,
E a Michelle Pfeiffer também...
Muitas coisas que me fazem lembrar
Aquilo que eu nem sonho esquecer
Caixa com laço,
Abraço de palhaço.
Bandaid
No calcanhar
Canções do Bono
Rir, até chorar,
Na hora do sono.
Tiramisu,
Ironia,
Fla x Flu
E poesia.
Muitas coisas que não me deixam esquecer
Aquilo que não canso de lembrar.
Menino Jesus
De Praga.
Gérberas,
Girassóis,
Ninja,
Gueixa,
Docinho,
De ameixa
Do Mundo Verde
E tudo verde
Água de coco,
Anjo da Guarda,
Piada da Arara,
Piada
Do macarrão,
Orangotango, Urso
E leão.
Muitas coisas que me fazem te querer,
Muitas coisas que me fazem te amar.
Gavetas arrumadas,
Roupas combinadas,
Iogurtes
Saladas
Idéias desenhadas
Lingerie
Como são as coisas
Que te trazem aqui!
Telepatia,
Jeep e pôr-do-sol,
Surpresa,
Bombom de cereja,
Canecas pra cerveja.
Provérbios,
Homem-aranha,
Casquinha de siri,
Tudo isso faz você estar aqui.
Kahlua
E a lua
Que é da cor da tua pele
E me lembra você nua.
E as estrelas
Milhares
Como fossem os inúmeros
Olhares
Que trocamos.
Sem palavras,
Com palavras
Que integram,
Que entregam
Os momentos,
Os tormentos,
Os diversos sentimentos
Que senti.
Tantas coisas,
Belas coisas
Que te trazem
Novamente
Aqui.
Sabe aqueles dias
Em que todas as pessoas
São estranhas?
Em que você perde o rumo
Perde o sumo
Perde a calma
Vende a alma?
Sabe aqueles dias em que
Você deseja morrer
Ou ser argentino
E não se emocionar
Com o violino
Que traz lembranças?
Nesses dias
Eu escrevo um poema
Que não quer acabar
Pra falar de um amor
Que não vai acabar.
Nunca.

A Lua e o Poeta

9 de abril de 2009

Pobre lua
Que se deita, insone, nua,
Em seu leito, ao léu, na rua
Esperando a alvorada
Desesperada,
Coitada.
Quase apagada,
Não é mais que uma vela
E ainda assim revela,
Quando reflete na poça
O poeta e a moça,
A musa,
Que recusa
Viver o amor tão bonito
Que jamais fora escrito
Pelo poeta,
Aflito
Ao ver nos olhos da moça
Uma poça:
Lágrimas de orgulho
E, num mergulho,
O poeta tenta a sorte,
Escapa, por pouco, da morte
Afogado,
Minguante como a lua,
Pobre lua
Que, insone, deita nua
Sobre o poeta. Na rua.

Vida Colorida

30 de março de 2009

Quero baldes de tinta.
Quero a minha estrada colorida
Com o amarelo do Vincent,
O azul do Pablo
E o vermelho da Frida.
Quero cor,
Quero amor,
Quero vida.
Quero despir-me o quanto antes,
Já nos próximos instantes,
Da alma ranzinza,
Feia,
Como roupa de cadeia,
Opaca, triste. Cinza.
Quero o sol, laranja,
Impressionante,
Ultrapassando, soberano,
O basculante
Enquanto tomo banho
E me livro do último resíduo,
Do desbotado indivíduo
Que não quero ser.
Quero novos olhos
Para ver, no mundo,
O que eu não conseguia.
O que a minha obtusa mente,
Já não percebia.
Quero novas cores.
Novos amores.
Quero alegria.

Grita!

10 de março de 2009

Grita!
Mas não some.
Insulta, esperneia
Faz greve de fome,
Incendeia.
Mas fica!
Briga!
Perde a linha,
Diz que não é minha
E chora.
Só não vai embora.
Fica.
Fica
Porque pode ser que um dia,
Com a cabeça mais fria,
Você me explique
E eu entenda,
Peça desculpas,
Sele a fenda
Que nos separa.
Mas pára
Com essa mania
De todo dia
Querer sair
Quando se irrita.
Grita!
Mas não some...
Xinga, provoca,
Erra meu nome
Mas fica, não vai
Porque dói, como dói,
Quando um amor que se constrói
Cai.
Tenha a santa paciência,
Ou a puta indecência,
Tanto faz.
Não interessa,
E eu nem tenho pressa,
Eu só tenho a certeza
Que se você for embora,
A gente vai jogar fora
Um amor.
E jogar amor fora
É pecado.
E dos piores.
Olha, dias melhores
Virão.
Grita, reclama,
Diz que não me ama,
Mas larga essa mala no chão!

Talvez

26 de fevereiro de 2009

Volta
Nem que seja pra mentir que estragamos tudo
Nem que seja pra exigir que eu fique mudo
Nem que seja pra falar o que eu não posso ouvir
Nem que seja pra não assumir…
…o amor…
Seja lá o que isso for
(Mas) Volta
E desvia o teu olhar do meu
Diz de novo que já me esqueceu
E tenta acreditar no que você me diz
E nas tantas teorias sobre ser feliz
Volta
E murmura que já desistiu
Ignora a canção do Gil
Explica que não dava mais
Porque eu roubei a tua paz!
Talvez,
Talvez você esteja certa
Mas por via das dúvidas
A porta vai ficar aberta…

(Pra você voltar…)

Soneto da Libertação

25 de fevereiro de 2009

Nunca mais vou te dizer
Que és tudo o que preciso
Que não saberei viver
Por não ter o teu sorriso!

Teu olhar nada me diz
A partir deste momento.
As juras de amor que te fiz
Foram-se, agora, no vento!

O meu coração vazio
Ficou mais calmo, sereno
Sobreviveu ao teu frio...

Livrou-se do teu veneno
Seguirá novo, sadio
Em busca de um amor pleno!

Vuoto

22 de fevereiro de 2009

Oggi io ti ho cercato nella moltitudine.
Tra i tanti che andavano,
Tanti che venivano,
Ho ricercato, attento,
Ansioso,
Una luminosità
Che potesse denunziare il tuo sguardo
La tua presenza.
Ho atteso che la brezza del mare
Portasse, rinvolta,
Come regalo,
Il tuo profumo.
In mezzo alle voci e rumori
Del cotidiano affrettato
Ho tentato sentire
La piú semplice
Manifestazione della tua voce...
Ma tu non ti sei fatta vedere.
E, per rincontrarmi con te,
Ancora una volta
Ho mosso tutto quello
Che é nostro
Che ho mantenuto guardato
Dentro me.

Sorbonne

22 de fevereiro de 2009

Filha da puta,
Pára e me escuta
Porque eu te amo,
Caralho.
Como é que você não percebe,
Parece até que não bebe!!!
Tão insensível, obtusa...
Vê se entende de uma vez
Essa merda toda,
O mundo que se foda,
Porque eu te quero,
Porra!
Mas, antes que eu morra,
Porque depois não adianta...
Defunto não beija,
Presunto não abraça...
Se eu morrer, fodeu, já era...
Você senta e espera..
Aí só na próxima!
E se você sair do inferno,
Que é pra onde vai
Quem fode
Com a vida dos outros.
Até quando vai durar
Esse faz-de-conta
De que está feliz?
Olha na minha cara, caralho,
E me diz!
Porque eu duvido!
Larga esse fodido
Que não te merece.
Porque eu não agüento mais essa
Merda na minha garganta,
Me sufocando.
Vê se presta atenção,
Deixa de ser burra,
Você merecia uma surra,
Mas não bato em mulher.
Ainda mais a que eu amo,
A que eu venero.
Se o problema é tempo,
Eu espero,
Mas me diz até quando,
Pra não parecer que está
Cagando
Pra essa coisa bonita
Que eu trago no peito
E chamo de amor.

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