boca
há um dito bonito do povo, não é novo, que alega:
"a boca só faz discurso sobre aquilo que o peito carrega".
só que tem a boca que se cala. nunca fala. e nem nega.
sorri seu sorriso de lado que, calado, se entrega.
há um dito bonito do povo, não é novo, que alega:
"a boca só faz discurso sobre aquilo que o peito carrega".
só que tem a boca que se cala. nunca fala. e nem nega.
sorri seu sorriso de lado que, calado, se entrega.
amo
quando ela me ensina.
seus olhos brilham,
quais de uma menina.
ela discorre com a riqueza de um romance
sobre as mais peculiares
belezas da provence.
sinto o perfume
de cada palavra sua.
e a percebo
distraidamente
nua.
despida, por meros instantes
da armadura, do escudo.
agora, desimportantes.
amo,
quando ela me ensina.
ou quando me conta a sua vida
pregressa
de bailarina.
escuto atento
como sedento,
que precisa beber na sua fonte
de conhecimento.
ela me diz as coisas de
michel foucault
com a mesma intimidade
com que fala do avô.
e como eu amo
escutá-la!
meu peito se enche de força,
quando ela fala.
uvas, vinhos, sabores.
amo
quando ela me ensina.
seus dizeres, meus prazeres.
seu saber,
que ilumina.
quero abraçá-la.
quero beijá-la.
protegê-la.
e quero ser por toda a vida,
o seu melhor amigo.
não sei se ela deixa.
não sei se consigo.
ainda há pontes não construídas.
tomara, se forem um dia,
que liguem as nossas vidas.
em uma só poesia.
tanto tempo. tanta mágoa. tanta dor.
tanta falta. tanto medo. tanto fel.
pouco riso. pouco gozo. pouco amor.
pouco beijo. pouco abraço. pouco céu.
Eu sigo o caminho a passos dispersos
E cato palavras que alguém jogou fora.
Lavo-as e levo-as em forma de versos
Entrego-as pra gente carente que chora.
No começo o sorriso era calado
E o olhar não encontrava com o meu.
O cigarro era álibi. E aliado.
Por duas vezes, com ele, se escondeu.
Depois, arriscou uma gargalhada,
Anestesia da sua timidez.
Falou um pouco de tudo, quase nada.
Como que guardasse pra próxima. Talvez.
Foi embora bem mais cedo que devia,
Levou com ela a lua, desenhada.
Não sei se eu disse tudo o que queria.
Falei um pouco de tudo. Quase nada.
Tá chovendo pra caralho
O trânsito tá um cagalhão
E eu pensando no atalho
Pra chegar em teu coração.
Rebouças todo parado
Tá um cu, hoje, a cidade.
E eu aqui, apaixonado.
Fodido de tanta saudade.
Hoje abri meu coração
Libertei meus sentimentos
Escrevi uma canção
E a cantei aos sete ventos
Mas em nada resultou
Não te trouxe para perto
Minha alma ressecou.
Minha mente – um deserto!
Acabou minha inspiração
Se esvaiu minha alegria
Pra vida não há razão
Sem a tua companhia.
Tua nudez visita a minha mente
Sinto tua pele, teu gosto e teu cheiro
Abraço e beijo o teu corpo inteiro
Vejo o teu riso de gozo iminente
Gozo que toma a ti, loucamente
Te faz ferver e expressar num grito
O teu prazer mais puro e bonito
Que faz-me amar-te mais intensamente
Então entrego-me completamente
Ao teu desejo mais forte e sincero
Realizar-te é tudo o que espero
Ver-te mulher que vive plenamente!
E numa noite enluarada e quente
Em minha cama te terei deitada
Nua, linda, para ser amada
Encerra-se o sonho. Tu estás presente!
Como tu falta-me aos braços!
Como, sem ti, é oco meu peito!
Minh'alma, tantos espaços
Como a cama em que me deito…
Estranha ausência que sinto
(Pois nem minha tu és)
Me toma como um instinto
E me derruba aos teus pés…
E como eu desejo te ter!
Como eu desejo te amar!
Pena não poderes ver…
Nem tampouco imaginar…
Mais que tudo, te quero!
Tua boca, tuas mãos, teus seios…
Quero, com um beijo sincero
Libertar os nossos freios
Quero overdose de amor!!!
Quero paixão permanente!
Gozar, explodir com o calor
Da tua pele ardente
Quero deitar do teu lado
E respirar o teu cheiro
Me sentir realizado,
Homem, feliz. Verdadeiro!
Senti frio.
Senti medo.
Senti falta.
Corri pra tentar chegar antes
Mas por meros instantes
Cheguei atrasado.
Menti pra evitar estragar
E quando acordei
Já estava estragado.
Bebi pra esquecer que bebia
Pra esquecer
O que eu não esquecia.
Gritei pra arrancar do meu peito
O passado imperfeito
Que tanto afligia.
Chorei pra lavar a alma
E os olhos incrédulos
No que não enxergavam.
Escrevi por insegurança,
Pra manter a esperança,
Pra desabafar.
Rezei pra não te ver.
Pensei pra te alcançar.
Vivi pra não morrer.
Caí pra levantar.
Calei por falta de opção
E interlocutor.
Amei por falta de amor.
Beijei a boca errada
Sem paixão, sem desejo
E com gosto de nada.
Lembrei de você todo dia
Vivi a agonia
De um condenado.
Lembrei de você todo dia
E por covardia
Estive calado.
Eu roubei a orquídea do rei
Pra enfeitar a tua janela
E a minha lapela,
Usei terno.
Eu mandei o capeta pro inferno
Eu driblei o beque e o goleiro,
Eu fui casto um dia inteiro.
Me esquivei das meninas
E limpei as latrinas
Do banheiro.
Eu chorei todas as letras
Que você me escreveu
Eu rasguei algumas outras
Que você não leu.
Eu fiz o dever de casa da vida inteira
Que eu nunca tinha feito.
Me aceitei imperfeito.
Eu entendi teoremas,
E vomitei poemas.
Não paguei minhas contas em dia
Mas fui no enterro de gente
Que eu nem conhecia.
Eu acabei com a cachaça
Pra entender que a dor não passa.
Eu quebrei a vidraça
E me cortei.
Eu vi meu sangue
Escorrendo
Vi a esperança
Morrendo
Vi a lua
Nascendo
Todos os dias.
Eu orei de joelhos
E de todos os jeitos
E pra todos os santos
E por todos os cantos.
Eu gritei.
Ajudei a velhinha na rua.
Ajudei o aleijado na escada.
Fui ajudado por tanta gente
Que não quis nada.
Eu errei,
Acertei.
Eu errei de novo.
Eu fiz tanta coisa
Tanta coisa nova
Eu me coloquei à prova.
Eu me testei.
Eu não falei eu te amo pra ninguém
Desde o último que eu te disse.
Eu queria que você me visse.
E não.
Eu não invadi o aeroporto
Eu não seqüestrei o avião.
Eu me fingi de morto.
E eu não fiz serenata em Milão.
Mas devia.
Olhos da Lara
São lindos,
Caros.
Os olhos da cara.
São meigos,
São puros,
Pretensamente seguros,
Os olhos da Lara.
São olhos felinos,
São olhos divinos,
Que olham pra Deus.
E hipnotizam,
Se sintonizam,
Se sincronizam
Com os meus.
Olhos da Lara,
Tão bonitos!
Mesmo quando tristes,
Mesmo quando aflitos.
Mesmo quando errantes
E sempre mais que antes
Sempre apaixonantes,
Sinceros.
Às vezes, severos.
Olhos da Lara
São olhos que abraçam,
E não disfarçam
Sentimentos
São olhos castanhos.
São olhos atentos.
São olhos que brilham,
São olhos que trilham
Novos caminhos.
São olhos de olhares
Tão singulares,
Que parecem carinhos!
Olhos da Lara
Me encantam.
Olhos que acalantam.
São olhos pra olhar,
Olhos pra sonhar.
Olhos da Lara
(que coisa mais rara!)
Me fazem amar.
Se
Olho pro lado e não te encontro
E não escuto tua voz, tampouco
Talvez esteja mesmo um tanto louco
Porque ainda sinto teu perfume aqui.
Se
Já não me lembro o dia em que te vi
Nem de tudo aquilo que disseste
Talvez eu seja mesmo um cafajeste
E não mereça estar do teu lado.
Se
Eu não enxergo o que fiz de errado
E não compreendo a tua atitude
Talvez eu seja mesmo muito rude
E estás bem certa quando dás de ombros.
Se
Sobrevivi em meio a esses escombros
E te desejo mais que à própria vida
Talvez tu sejas mesmo a mais querida
Que poderia pra mim existir.
Se
Teus beijos doces foram um elixir
Do mais perfeito e sábio alquimista
Talvez na vida eu jamais desista
De te amar e de te ter me amando.
Se
Cheguei aqui porque segui errando
Daqui não passo se não te levar
Talvez eu deva mesmo te esperar
E é só isso que eu tenho feito.
Larguei um poema no mar
Em uma garrafa de rum
Se um dia ele te encontrar
Tomara não seja apenas mais um
Tomara tenha a sorte
Que não teve nenhum
De tocar a tua alma
De fazer suar a palma
Da tua mão
De ousar mudar o ritmo
Das batidas
Tão contidas
Do teu coração.
Eu queria tanto
Estar aí contigo
Eu queria mesmo
Ser o teu melhor amigo
Ser de novo teu amante
E não ser o almirante
Sem esquadra
E não ser o comandante
De um barco naufragado
E não ser o habitante
De uma ilha tão distante
A viver apaixonado...
Larguei um poema no mar
Escrito com tinta vermelha
Se um dia ele te encontrar
Que nos sirva de centelha
Que acenda no teu peito
Que acenda do teu jeito
A paixão que existe no meu.
Larguei o poema no mar,
Pedi ajuda a Netuno
E no momento oportuno
Ele vai te entregar.
Após noite mal dormida
Tu estarás distraída
E ao olhar o mar de Angra
Vais se lembrar que ainda sangra
Meu coração, com saudade.
E vais ver, então, uma garrafa,
Presa, talvez, na tarrafa
De algum pescador.
Dentro estará um poema
E, com certeza, o amor.
Pelo homem que deu por cachaça
O dinheiro que compra seu pão.
Pelo outro que deu, por desgraça,
O que tinha em seu coração.
Pela santa que chora em vermelho
Pelo velho que jaz no caixão
Pelo estranho que eu miro no espelho
Pela moça que inspira a canção
Pelo moço que canta o fado
Pelo artista que pinta com o pé
Pela virgem que cheira a pecado
Pelo ateu que vive da fé
Pelo surdo que toca piano
Pelo cego sem medo do escuro
Pelo tolo e seu tolo engano
Pelo homem que reza no muro
Pelo réu que jura inocência
Pelo cão que lambe seu dono
Pelo escravo que pede clemência
Pelo anjo que vela o teu sono
Pelo soldado sem dia seguinte
Pelo rosto que está no jornal
Pelo sem-teto e sem requinte
Pelo mendigo do sinal
Pelo palhaço que chora
Pela estudante que ama
Pela amante que implora
Pela velha que reclama
Pelo velho que não escuta
Pelo ambulante que berra
Pelo menino que luta
Pela gente que erra
Pela mãe que espera seu filho
Pelo pai que rouba por fome
Pelo insano que deita no trilho
Pela puta que tinha o teu nome
Pelo amigo que abraça
O amigo em pranto
Pelo Pai, pelo Filho
Pelo Espírito Santo
Pelo amor da minha vida
Que ainda vou conhecer
Eu juro e, de novo, eu juro
Que agora eu vou te esquecer.