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Você me olha

16 de fevereiro de 2010

Você me olha de um jeito
Calado
Você me fala de um jeito
Observador
Você me deixa de um jeito
Apaixonado
E você rouba do meu peito
O meu amor.
Por mais que eu tente controlar
O sentimento
Por mais que eu tente não olhar
A cada instante
Por mais que eu tente disfarçar
Eu não agüento
Por mais que eu tente ignorar
Não é o bastante.
Se eu quero um beijo
É só o seu beijo
Que eu quero
Quero saber o sabor
Dos seus lábios
Que são moldura
Do mais lindo
Sorriso.
Se quero um abraço
É em seu corpo
Que eu penso.
E penso sempre
Que me olha,
Calada.

Difícil

16 de fevereiro de 2010

Difícil.
Um passo em falso
E volto ao início.
E, junto aos cacos,
Me junto aos fracos
E tremo.
E temo.
Levanto.
Tento de novo.
E de novo.
E de novo.
E de novo eu erro.
Calado, eu berro.
Cansado, eu choro.
Sozinho, eu rezo.
Rezando, imploro
Por novos olhos.
Uma nova chance,
Um novo caminho,
Um novo jeito.
Quase desisto.
Rasgo meu peito
E persisto.
Ando
Sem rumo.
Assumo
A solidão
Como provação,
A virtude
Como atitude,
E só o céu como confidente
Desse quase louco.
Mas é pouco.
O melhor de mim é pouco.
Não te alcança,
Não te seduz.
Me falta brilho.
Me falta luz.
Talvez.
Conto até três,
Respiro
Como a cabeça que aguarda o tiro,
Fico inerte.
Até que a saudade sufoque
E a angústia
Aperte.
Então,
Mais uma vez me lanço em tua direção.
Com versos mal escritos
E flores na mão.
Difícil.

Ela

12 de outubro de 2009

Ela vem de mansinho, e brilha.
Ela enche meu mundo, de cor.
Ela traz, no pescoço, baunilha.
Ela enche meu peito, de amor.

Ela chega e devolve a alegria
Que perdi na semana de dor
Ela acaba com a minha agonia.
E ela traz no pescoço uma flor.

Fascinante

12 de outubro de 2009

Amo tua pele. Branquinha.
Amo tua voz. Instigante.
Amo tua boca. Que é minha.
Amo teu talento. Brilhante.

Amo teu sotaque. Gaúcho.
Amo teu olhar. Cativante.
Amo teus modos. De luxo.
Amo te amar. Fascinante.

a porta

12 de outubro de 2009

Então, com o peito ardendo a febre da agonia
Olho para a porta aguardando a tua entrada
Como se te trouxesse da vida, para a poesia
De versos, que são passos nossos, em uma só estrada.

Marginal

12 de outubro de 2009

Atrás de um caminhão. Na marginal.
Respirando o que vem do Tietê.
E ainda assim a vida é bestial.
Porque dentro de mim, trago você.

Debaixo de calor descomunal
Almoçando em pé, num botequim.
E ainda assim a vida é genial
Porque trago você dentro de mim.

SMS

11 de fevereiro de 2009

Muitas vezes o que escrevo,
Eu sinto.
Outras tantas o que sinto,
Escrevo.
Se escrever que não te amo,
Eu minto.
Se o contrário não escrever,
Eu devo.

Anjinha

11 de fevereiro de 2009

Vez ou outra
O amor chega de mansinho
A passos de passarinho
E ninguém nem se dá conta.
Aí apronta,
Desassossega a gente,
Faz a vida, de repente,
Virar de ponta cabeça.
Há quem mereça
Ganhar reciprocidade,
Achar a paz de verdade
No olho do furacão.
E há quem não.
Não sei de mim
Se não ou se sim.
Ou se talvez, talvez.
E dessa vez
O amor chegou devagar
Com a calma do teu olhar
Na brisa do teu perfume.
E eu, não estava imune,
Me vi de frente pro amor

Faço de conta que o mereço
E, por isso, não te esqueço
Desde o dia em que te vi.

Desconhecidos

11 de fevereiro de 2009

Onde você está
Exatamente agora?
No que estará pensando
Daqui a meia hora?
Eu não sei mais nada
Sobre a sua vida
Eu não sei mais nada
Sobre a sua lida
Sobre as suas fotos
Seus rascunhos
Seus sonhos
Seus receios
Seus recreios
Suas juras de amor
Se há amor.
Eu não sei mais nada
Das suas longas viagens
Pelos caminhos mais estranhos
Da imaginação
Que Deus deu pra você.
Nem das suas breves viagens
Com estranhos, pelos caminhos
Que na imaginação,
Deus nos teria dado...
Não sei das suas férias
Das suas misérias
Das suas farturas
E das criaturas
Que ficam embaixo
Ou em cima
Da sua cama.
Não sei se você me ama.
Mas sei se eu amo você.
Não sei como cabe tanto orgulho
Em um metro e sessenta
Não sei como você agüenta,
Suporta essa tormenta
Calada
Parada
Gelada
Como se tudo o que aconteceu
Com tudo o mais que iria acontecer
Fosse nada.
Somos ilustres desconhecidos
Um do outro
E nem faz tanto tempo
Mas ao mesmo tempo
Faz.
Faz frio.
Mesmo no calor.
Tanta gente pra amar
E tanta falta de amor.
Acho que deixei na sua bolsa
Uma bala,
O papel do estacionamento
E o meu melhor sentimento.
Porque não o encontro mais...
E já revirei tudo.
Estou tranqüilo, em pé,
Talvez feliz
Mas com um escudo.
Que me separa do mundo
De todo mundo
Que eu poderia amar
Como amei você.
Onde você está
Exatamente agora?