já junho
muita chuva. noite segunda de junho
tão encharcada quanto fria.
no moleskine aberto, a tinteiro em punho
escreve que eu te amo. em poesia.
muita chuva. noite segunda de junho
tão encharcada quanto fria.
no moleskine aberto, a tinteiro em punho
escreve que eu te amo. em poesia.
meus olhos nos teus olhos refletidos
testemunham incrédulos tua beleza
que inunda o meu peito de certeza
e revela sentimentos escondidos.
teus olhos nos meus olhos são bem-vindos.
inevitavelmente inspiradores,
despertam o mais belo dos amores.
e me fazem mergulhar em sonhos lindos.
se só eu, de nós, sinto saudade
que por maior que seja, ainda é vã;
se o que te guia é a vaidade,
(a que, eu já te disse, é a vilã!)
se o que te excita é a liberdade,
a despertar tua alma cortesã...
que seja feita, assim, tua vontade...
mas quando acordares só, pela manhã
perceberás que a vida, a de verdade,
nem sempre é uma foto no instagram.
já nem pede tanto: um solo de violino,
respirar e, respirando, tragar maresia;
de novo amar como amava, quando menino,
para encontrar o que perdeu, sua poesia.
tua ameaça de ostracismo
revelou-se, pois, levada a cabo.
descabido fruto do cinismo
a condenar-me, fora eu diabo.
calo-me. alternativa ao pranto.
inútil é dar-me ao desespero
se, desesperado, me ataranto
com meu inócuo destempero.
corte profundo, lobotomia...
inércia. que me faz mais forte.
necessária pausa na agonia
que vez em quando brinda à minha morte.
ninguém responde por mais que eu questione
(há tantos anos me mantenho curioso)
se a saudade é combustível do insone
ou a insônia alimento do saudoso...
meu anjo, meu doce,
minha amiga,
parceira na labuta,
companheira de luta,
boa de briga.
sempre musa.
mudou a vista.
o que era praia,
virou Paulista.
mudou, bastante, a geografia.
mas não há de sumir,
nem morrer,
a poesia.
por que morreria?
são só os melhores desejos...
um bem querer sem fim,
um mundo perfeito,
que trago no peito,
dentro de mim.
e é ele que eu quero que aconteça
na tua cabeça,
no teu dia-a-dia.
uma vida de conquistas,
mas em harmonia.
e que cada passo teu,
junto ou não do meu,
encontre alegria.
que nunca mais haja dor,
só exista amor, amor e amor.
e que o carinho a te cercar seja tanto
que tenhas certeza que vem de Deus
esse acalanto.
que possas escolher,
que possas fazer,
ter
à disposição,
coisas que te preencham a alma,
a mente,
e o coração.
que viver feliz pra sempre seja o teu lema!
que se mantenha perene a sensação de paz.
e que teu único problema, teu mais terrível dilema,
seja escolher o sabor do teu häagen-dazs!
não sei se sinto o que sinto
por vaidade ou instinto
ou se por medo do nada.
mas o que é fato inegável
é que mesmo que instável
meu peito é tua morada.
difícil é resistir a te dar mais um poema,
fingir que a distância não é problema
e que não encontro saudade
em cada canto quieto dessa cidade.
difícil é cessar o verbo,
cassar o verso,
calar.
difícil é te amar.
mais ainda é parar,
é uma espécie de vício
que sempre volta ao início.
é uma espécie de hospício
de só um louco.
difícil é pouco.
é mais que isso,
é o inferno.
angustiante.
bem pior que o de Dante.
difícil é tirar você da cabeça,
por incrível que pareça,
depois de todos esses dias,
de todas as poesias
ainda há muito de você dentro de mim.
não era pra ser tão difícil assim.
Perdoe-me amor, se ainda não digo
Palavras bonitas que contem o que sinto.
Quero dá-las a ti, mas falta-me instinto.
Calo-me e guardo-as. Só porque não consigo.
é o excesso de palavras que me cala
e a abundância de amor que me afasta.
eu te dedico o meu silêncio que te fala
que amar sem ser amado já não basta.
as horas passam e, devagar, constroem dias
que se acumulam, e já são cento e dezesseis...
perdi meu sono, meus sonhos. e poesias.
todos os dias. tudo de novo. tudo outra vez.
estéril é a saudade, se de um só...
se não encontra no outro simetria.
é um engano sem tamanho, de dar dó,
é amor que se dilui em agonia!
a paixão outrora infinda, finda em pó...
a alma - um zeppelin que esvazia -
embolada na garganta, feita um nó,
já não sente nem respira poesia.
amo tanto. tanto amor já não me cabe.
quanto mais longe, mais o amor se faz crescer.
quero tanto, quanto um tolo que não sabe
uma só forma de parar de te querer.
eu queria agora, depois de um abraço,
falar baixinho,
pertinho,
do teu ouvido,
o monte de coisas bonitas
que eu tenho sentido.
é tanta saudade,
que no peito o que sobra,
é graça e obra,
da sinceridade.
verdade.
a vida deveria ser mais simples
porque é tão curta
que minha cabeça
confusa, avessa,
quase surta
quando te enxerga distante.
por um instante
sinto de novo teu perfume,
aquele da nuca,
perto da flor.
não é nostalgia, juro,
é amor.
o mesmo amor que revelei há anos,
que depois de tantos desencontros
e enganos,
ainda vive.
e insiste
em ser teu.