trova tuiteira 052
No taxi, a canção cansada do rei
Grita amor, loucura e ciúme.
A dor que ele sabe, também sei.
Jaz na saudade do teu perfume.
No taxi, a canção cansada do rei
Grita amor, loucura e ciúme.
A dor que ele sabe, também sei.
Jaz na saudade do teu perfume.
já são seis dias sem vê-la,
e a dor não tem tradução.
é céu negro, sem estrela
em noite fria. no verão.
Queria ser tua lótus desenhada
E beijar, beijo eterno, teu pescoço
Pra deixar a tua alma encharcada
De amor inebriante do meu poço.
Sonhe comigo e, no sonho, me ame.
Sinta dormindo o que eu sempre senti,
Acorde do sonho, feliz, e me chame.
Que eu parto pro porto mais perto de ti.
Eu sigo o caminho a passos dispersos
E cato palavras que alguém jogou fora.
Lavo-as e levo-as em forma de versos
Entrego-as pra gente carente que chora.
Tua ausência rouba-me meus versos,
Atirando no meu peito solidão
E na cabeça, pensamentos dispersos.
No corpo estendido, jaz o coração.
Teus braços ignoram tua voz
E teus olhos negam tudo que me falas.
Eles brilham se te falo sobre nós
E são nós que nos amarram, se te calas
Quero que todos os teus muitos dias sejam doces,
Belos e leves como a branca flor da esperança.
Tal como se depois de tudo, tu, de novo, fosses
Esplendorosa, loura, livre e linda, criança.
Quero que a felicidade seja o teu norte
E a intuição, fidelíssima escudeira.
Que sejas bem protegida por um manto de sorte
E no peito tu sempre carregues fé verdadeira.
Sem que percebas, estarei aqui, como o teu forte
Para te guardar de almas tolas e noites frias.
E, mesmo calado, hei de amar-te até a morte.
Quero que sejam todos doces, os teus muitos dias.
não existe lágrima
não existe lástima
não existe mágoa
ou tristeza
só existe
ode
à beleza
daquela mulher.
não existe angústia
não existe dúvida
não existe pânico
ou trauma
só existe
calma
não existe caos
no universo
só existe paz
em cada verso
de toda poesia
que rima as curvas
e os mistérios
daquela mulher.
não existe sofrimento
não existe pressa.
mas me interessa
bastante
fazer do fim, infinito
fazer do céu, nosso chão.
e num dia qualquer, bem bonito,
alcançar o coração
daquela mulher.
No começo o sorriso era calado
E o olhar não encontrava com o meu.
O cigarro era álibi. E aliado.
Por duas vezes, com ele, se escondeu.
Depois, arriscou uma gargalhada,
Anestesia da sua timidez.
Falou um pouco de tudo, quase nada.
Como que guardasse pra próxima. Talvez.
Foi embora bem mais cedo que devia,
Levou com ela a lua, desenhada.
Não sei se eu disse tudo o que queria.
Falei um pouco de tudo. Quase nada.
Trago a tua foto no meu bolso
Como um sol que guardo só pra mim.
E basta olhar para o teu rosto
Que o dia nublado chega ao fim.
Tudo fica mais bonito
Com você.
Tudo fica mais alegre.
Colorido.
Saboroso.
Perfumado.
Tudo fica mais tranqüilo.
E arrumado.
Não existe caos na tua presença.
Não existe diferença
Entre o paraíso
E esse cenário mundano.
O cotidiano
Fica mais leve
Apesar de mais intenso,
Completo.
Tudo fica mais bonito
Com você.
O teu sorriso inunda
A cidade
Que afunda
Em felicidade.
Teus olhos, faróis,
Coordenam motoristas,
Antes desnorteados
E agora meramente
Adolescentes
Apaixonados.
O céu se abre.
O sol se apresenta.
O dia veste as vestes
Mais bonitas
E ostenta
A beleza que estava escondida
Por uma manta, negra,
Encardida.
Tudo fica mais bonito
Com você.
O ruído do trânsito diário,
A britadeira do operário,
Parecem em harmonia,
Linda sinfonia,
Com o pássaro solitário
Na árvore do Parque
Do Ibirapuera.
Também pudera,
Tudo fica mais bonito
Com você.
Tudo fica verdadeiro.
Honesto.
Inteiro.
Feliz.
Puro.
Tudo fica mais seguro.
Tudo fica mais bonito
Com você.
Até São Paulo.
Você me olha de um jeito
Calado
Você me fala de um jeito
Observador
Você me deixa de um jeito
Apaixonado
E você rouba do meu peito
O meu amor.
Por mais que eu tente controlar
O sentimento
Por mais que eu tente não olhar
A cada instante
Por mais que eu tente disfarçar
Eu não agüento
Por mais que eu tente ignorar
Não é o bastante.
Se eu quero um beijo
É só o seu beijo
Que eu quero
Quero saber o sabor
Dos seus lábios
Que são moldura
Do mais lindo
Sorriso.
Se quero um abraço
É em seu corpo
Que eu penso.
E penso sempre
Que me olha,
Calada.
Difícil.
Um passo em falso
E volto ao início.
E, junto aos cacos,
Me junto aos fracos
E tremo.
E temo.
Levanto.
Tento de novo.
E de novo.
E de novo.
E de novo eu erro.
Calado, eu berro.
Cansado, eu choro.
Sozinho, eu rezo.
Rezando, imploro
Por novos olhos.
Uma nova chance,
Um novo caminho,
Um novo jeito.
Quase desisto.
Rasgo meu peito
E persisto.
Ando
Sem rumo.
Assumo
A solidão
Como provação,
A virtude
Como atitude,
E só o céu como confidente
Desse quase louco.
Mas é pouco.
O melhor de mim é pouco.
Não te alcança,
Não te seduz.
Me falta brilho.
Me falta luz.
Talvez.
Conto até três,
Respiro
Como a cabeça que aguarda o tiro,
Fico inerte.
Até que a saudade sufoque
E a angústia
Aperte.
Então,
Mais uma vez me lanço em tua direção.
Com versos mal escritos
E flores na mão.
Difícil.
a angústia entra sem pedir licença,
faz do nosso peito, leito pra uma noite.
bebe, ri e goza com certa indiferença.
sempre deixa marcas. como fosse açoite.