116

28 de junho de 2011

as horas passam e, devagar, constroem dias
que se acumulam, e já são cento e dezesseis...
perdi meu sono, meus sonhos. e poesias.
todos os dias. tudo de novo. tudo outra vez.

noite no Rio

18 de junho de 2011

linda lua no céu, sem véu, despida
é luz que seduz, deitada sobre o mar.
clara, encara, reflete o seu olhar
no olhar da moça embevecida.

trova tuiteira 093

11 de junho de 2011

cara amiga, sim, te quero amante
mas, não obstante, te quero amiga.
muito me intriga ver-te tão distante
mas não o bastante pra que te diga

sodium

5 de junho de 2011

estéril é a saudade, se de um só...
se não encontra no outro simetria.
é um engano sem tamanho, de dar dó,
é amor que se dilui em agonia!

a paixão outrora infinda, finda em pó...
a alma - um zeppelin que esvazia -
embolada na garganta, feita um nó,
já não sente nem respira poesia.

sem palavras

2 de junho de 2011

são várias as palavras escolhidas
mas, escondidas dessa tarde fria,
não cumprem o seu ofício, inibidas,
de serem versos e, versos, poesia.
caladas, já não mostram-se atrevidas,
nem invadem corações de quem as lia.
sem as palavras, pois, hoje sumidas,
o poeta se recolhe. e silencia.

como um tolo

31 de maio de 2011

amo tanto. tanto amor já não me cabe.
quanto mais longe, mais o amor se faz crescer.
quero tanto, quanto um tolo que não sabe
uma só forma de parar de te querer.

trova tuiteira 092

11 de maio de 2011

Há uma força maldita que incita
a tristeza que cresce e me invade,
me destrói, me consome. E vomita.
Há uma força chamada saudade.

não é nostalgia

21 de abril de 2011

eu queria agora, depois de um abraço,
falar baixinho,
pertinho,
do teu ouvido,
o monte de coisas bonitas
que eu tenho sentido.
é tanta saudade,
que no peito o que sobra,
é graça e obra,
da sinceridade.
verdade.
a vida deveria ser mais simples
porque é tão curta
que minha cabeça
confusa, avessa,
quase surta
quando te enxerga distante.
por um instante
sinto de novo teu perfume,
aquele da nuca,
perto da flor.
não é nostalgia, juro,
é amor.
o mesmo amor que revelei há anos,
que depois de tantos desencontros
e enganos,
ainda vive.
e insiste
em ser teu.

madrugada

17 de abril de 2011

toda madrugada guarda
suspiros e segredos
e aguarda a mãe dos medos,
a solidão.
toda madrugada é puta.
e pura.
deita-se, escuta,
e atura
lamentos e loucura
dos que sofrem de amor.
toda madrugada é dor.
é fria.
noite que quer ser dia,
irônica,
como uma filarmônica
de silêncios.
é um sorriso blasé.
toda madrugada
é, ainda assim, a estrada
que me leva até você.

outono

17 de abril de 2011

acorda amor, pra esse outono
a manhã nos trouxe a mansidão
o verão, cansado, caiu no sono
dele só restou a nossa paixão.

trova tuiteira 091

17 de abril de 2011

notou o quanto o amor crescera.
já não cabia no seu moleskine.
mas sua musa desaparecera...
não era achada nem com search engine.

trova tuiteira 090

17 de abril de 2011

queima teu corpo nos meus braços
como ardem céu e sol, a sós.
gêmeos gemidos, em laços,
fazem-nos um. como um nó de nós.

Muito obrigado

12 de abril de 2011

Muito obrigado pela distância
Que me mandou de presente
Ficou um pouco grande
E, quando eu uso, ainda expande
Mas terá utilidade,
Combina bem com a saudade
Que me deu ano passado
E que muito eu tenho usado
Todo dia de manhã.
Olha, não precisava...
Deve ter sido tão cara,
Tem jeito de coisa rara
Que a gente só dá realmente
Pra quem merece o presente.
Eu fico lisonjeado.
Não retribuo à altura
Por plena incapacidade
Quando ganhei a saudade
Mandei de volta carinho
E agora que ganho a distância
Não tenho, da mesma importância,
Algo para mandar.
Tenho ainda aqui muito amor
Mas já não sei se combina
Com as suas outras coisas,
Com a sua nova sina...
Melhor mantê-lo guardado
Pois se fizer uso errado
É bem capaz de estragar...

She

10 de abril de 2011

Não estou gostando nada
Dessa vida
Meio vazia, rala.
Meio corrida
Sem sentimento bom,
Descolorida
Que é o que restou
Depois da despedida.
Eu fiquei, só,
Imerso em silêncio.
Nem mesmo esse,
Foi absoluto,
Interrompido que era pelo choro -
Inconfundível marca
Do meu luto.
Na nossa sala cheia de lembranças,
Saltam aos olhos
Proparoxítonas,
Pétalas,
Máquinas,
Lágrimas
E dúvidas.
Todas elas órfãs de rimas.

Fazia um tempo que eu nem pensava
Nas nossas coisas,
Então, não sentia
O perfume leve de baunilha
E o sopro noturno dessa nostalgia.
Mas esteve por aqui Sr. Costello
Com mil guitarras e só uma chave
Do, hoje, temido universo paralelo
Onde a gente chegou a dividir
O mesmo sonho de felicidade.
Onde você era a canção
Entoada, com amor, pelo verão,
Uma centena de coisas diferentes
E o rosto que eu não poderia
Esquecer.
Como não esqueci.
E nem vou.

fluminense X nacional

6 de abril de 2011

Hoje é guerra e sangue na Libertadores.
Ainda assim, eu serei justo e correto.
Eles ficam com a picanha e os alfajores
Não se discute, é seu cardápio predileto.
Mas os três pontos vem pra nós, os tricolores
E que se fodam os uruguaios. Sem afeto.

Carregar mais poemas ↓