keep walking

1 de abril de 2010

Keep Walking! -
Disse-me Johnnie
Embalado pelo solo
Do saxofone
Meio rouco,
Meio louco.
Pouca luz...
Talvez isso tudo seja mesmo
Blues.
E eu aqui.
Dentro de mim,
Além do exagerado teor
De bebida
Que anestesia,
Entorpece,
Há um monte de coisas bonitas
Que a gente não esquece
E quer dizer, a qualquer custo,
Que sente.
Então,
Quando acabar de ler este poema,
Saiba que ele foi escrito,
Com o que há de mais bonito
Daquilo que sente um homem.
Todas as mágoas somem,
As angústias se vão
E fica apenas o amor de sempre,
Sincero,
No coração.
Vão embora a dor
E a frustração.
E o que toma meu pensamento
E, agora, eu digo
É que eu só queria você aqui,
Comigo.
Porque eu te amo!
Segurando a tua mão,
Escutaria, então,
Um mais doce,
Menos aflito,
Grito
Do oxidado saxofone.
Keep walking!
Diria, pra gente, o Johnnie.

Meus Poetas

1 de abril de 2010

A me proteger da tua
Indelicada frieza,
E inexplicável escassez
De caráter,
Apenas o exército de poetas
De versos,
Diversos,
Contundentes,
Estrondosos,
Que invoco, em apuros.

Quando a solidão,
Cruel carrasco,
Me enforca,
Salvam-me as palavras
De Garcia Lorca,
Que traz consigo sempre
A inestimável ajuda
De seu amigo de língua,
Pablo Neruda.

Cecília Meireles, meu escudo,
Contra teu ódio, indiferença,
Quase tudo,
Não abandona a luta.
É guerreira,
Como os heróis de trincheira,
Mário de Andrade
E Bandeira.

E o que seria de mim
Sem Fernando Pessoa
Que, às vezes disfarçado,
É incansável, é valente,
Ao meu lado.
Se desprezado,
Quase sucumbo ao ataque,
Mas rogo,
Pela força de Bilac,
Que não foge
À mais violenta
Das batalhas.

Quando a tristeza é
Mais forte
E, já beirando a morte,
Rendo-me e
Sinto saudade,
Curam-me os poemas
De Carlos Drummond de Andrade.

Sá-Carneiro, amigo,
Tantas vezes abrigo
Do perene perigo
Da sala vazia.
Do calor que nos unia,
Perigosos resquícios...
Prontamente eliminados,
Por Vinícius.
De Shakespeare, os sonetos,
Poderosos amuletos,
Para a guerra
Pela vida.
Injusta vida
Longe de ti.

Estilhaços de dúvidas e a incerteza,
Se invadem a fortaleza
Em que me escondo,
Num ato hediondo,
Levam-me ao chão.
Febril, não mantenho o controle
Da mente
Novamente
Insana
Mas guia-me ao meu leito,
Mário Quintana.
Hosana!
O breve murmúrio
De um homem
De luto,
Cansado da luta.
Quem escuta?
Quem ampara esse
Pobre poeta que já nem sabe o que quer?
Manoel de Barros, Gonçalves Dias
E Charles Baudelaire!

Vivo, assim, eu, pois, melhor que ti!
O poeta por mais que sofra, sorri!
Tu, com teu silêncio
Inescrupuloso,
Orgulhoso,
Teimoso,
Desastroso,
Viras cárcere,
Condenada por Camões,
Que te leva aos porões.
Menotti Del Picchia te tranca,
Bocage insulta,
E Florbela espanca!

na hora do planeta

27 de março de 2010

céu apagado,
tudo escuro.
olho pro lado
e te procuro.
abandonado,
sempre misturo
o meu passado
com teu futuro.
apaixonado,
já não me curo.
deixo guardado,
meu amor puro.

Quero

24 de março de 2010

Quero tua coxa nua
Suada, na minha palma.
Quero tua cor de lua
Bordada, na minha alma.
Quero tua boca crua
Roubando a minha calma.

trova tuiteira 062

24 de março de 2010

eu tenho um segredo sagrado
que eu guardo, calado, por medo.
eu deixo no peito, algemado,
sangrando, o sagrado segredo.

trova tuiteira 060

22 de março de 2010

dia tão longo, não te vi...
foi bom ouvir a tua voz!
matou a saudade de ti,
pariu a vontade de nós.

trova tuiteira 059

22 de março de 2010

Há anos te amo. E amo tanto.
Com amor que nem sabia que tinha.
Talvez um dia, tomara, por encanto
Tua boca se encontre. Na minha.

trova tuiteira 057

22 de março de 2010

A mente sem dor, é dormente.
É mente que mente pra gente,
Oculta a dor que ela sente.
E esconde um passado presente.

trova tuiteira 056

22 de março de 2010

O coração que é vazio de amor
Se dá pra mãe da dor, agonia.
Em aliança estéril, incolor,
O peito oco para. E esfria.

trova tuiteira 055

22 de março de 2010

toda a paz que vem na tua voz
e todo o amor no teu olhar
fazem do meu peito, sua foz
como se minh'alma fosse mar.

trova tuiteira 054

22 de março de 2010

pra olhar o futuro, sou profeta
pra estar no pedestal, sou lirismo
pra beijar as palavras, sou poeta
pra morrer de amor, eu sou abismo

trova tuiteira 053

22 de março de 2010

ela me fez aprender o amor
ela me fez entender o Bono
ela me deu de presente a dor
e roubou pra sempre o meu sono.

trova tuiteira 052

22 de março de 2010

No taxi, a canção cansada do rei
Grita amor, loucura e ciúme.
A dor que ele sabe, também sei.
Jaz na saudade do teu perfume.

trova tuiteira 051

22 de março de 2010

já são seis dias sem vê-la,
e a dor não tem tradução.
é céu negro, sem estrela
em noite fria. no verão.

trova tuiteira 058

22 de março de 2010

Queria ser tua lótus desenhada
E beijar, beijo eterno, teu pescoço
Pra deixar a tua alma encharcada
De amor inebriante do meu poço.

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